O vitiligo é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca os melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina. Como consequência, surgem áreas de pele despigmentadas, que podem aparecer em diferentes regiões do corpo.
Nos últimos anos, houve uma mudança importante na forma de tratar o vitiligo. O objetivo não é apenas recuperar a pigmentação, mas também controlar a atividade da doença, estimular a repigmentação e preservar o resultado obtido.
A American Academy of Dermatology destaca que não existe um único tratamento adequado para todos os pacientes. A escolha depende do tipo de vitiligo, extensão, localização das lesões, atividade da doença, idade e impacto na qualidade de vida. (American Academy of Dermatology)
Ruxolitinibe: um novo conceito no tratamento do vitiligo
O ruxolitinibe, um inibidor das enzimas JAK1 e JAK2, representa um dos principais avanços recentes no tratamento do vitiligo não segmentar.
Aplicado na forma de creme, o medicamento atua sobre vias de sinalização envolvidas na resposta imunológica que participa da destruição dos melanócitos. Nos Estados Unidos, o ruxolitinibe tópico é aprovado para pacientes com 12 anos ou mais com vitiligo não segmentar. (American Academy of Dermatology)
Um aspecto particularmente importante dos estudos mais recentes é que a repigmentação pode continuar aumentando com o tempo. Na extensão dos estudos TRuE-V, os resultados de repigmentação facial e corporal continuaram melhorando até 104 semanas de tratamento. (Oxford Academic)
Repigmentar é apenas uma parte do tratamento
Os dados mais recentes também ajudam a compreender um desafio importante do vitiligo: a manutenção da repigmentação.
Em estudo de extensão do TRuE-V, pacientes que haviam alcançado importante repigmentação facial foram randomizados para continuar o ruxolitinibe ou interromper o tratamento. Após um ano, a manutenção da resposta foi maior entre aqueles que continuaram o tratamento. Entre os pacientes que apresentaram perda de pigmentação após a interrupção, muitos conseguiram recuperar novamente a resposta quando o ruxolitinibe foi reiniciado. (Oxford Academic)
Esses resultados reforçam um conceito cada vez mais importante: o controle do vitiligo pode exigir tratamento de manutenção, porque a repigmentação obtida não significa necessariamente que a atividade autoimune tenha desaparecido. A própria AAD ressalta que a repigmentação pode desaparecer com o tempo e que alguns pacientes necessitam de terapias de manutenção. (American Academy of Dermatology)
E os medicamentos por via oral?
Uma das novidades mais importantes de 2026 é o avanço dos inibidores de JAK administrados por via oral.
Enquanto o ruxolitinibe tópico atua diretamente sobre as áreas afetadas, uma medicação sistêmica pode ter potencial para atuar de maneira mais ampla sobre a atividade imunológica da doença. Essa possibilidade é especialmente relevante em pacientes com vitiligo extenso ou em progressão.
Upadacitinibe
O upadacitinibe, um inibidor seletivo de JAK1, apresentou resultados positivos em dois estudos internacionais de fase 3, conhecidos como programa Viti-Up.
Na dose de 15 mg uma vez ao dia, o medicamento demonstrou maior repigmentação facial e corporal do que placebo após 48 semanas de tratamento. Os estudos incluíram adultos e adolescentes a partir de 12 anos com vitiligo não segmentar. (AbbVie News Center)
Em julho de 2026, a Comissão Europeia aprovou o upadacitinibe para adultos e adolescentes com 12 anos ou mais com vitiligo não segmentar que sejam candidatos a tratamento sistêmico. (AbbVie News Center)
A disponibilidade e as indicações aprovadas podem variar de acordo com o país. Portanto, esses resultados não significam que o medicamento esteja automaticamente aprovado para vitiligo em todos os locais.
Ritlecitinibe
O ritlecitinibe é outro inibidor oral, com ação sobre JAK3 e a família de quinases TEC.
Em 2026, foram divulgados resultados positivos de dois estudos de fase 3, TRANQUILLO e TRANQUILLO 2, demonstrando melhora significativa da repigmentação facial e corporal em comparação com placebo. (Pfizer)
O ritlecitinibe já possui aprovação para outras doenças dermatológicas, como alopecia areata, mas os resultados de vitiligo representam uma nova área de investigação. Sua aprovação para vitiligo depende das autoridades regulatórias de cada país.
Povorcitinibe
O povorcitinibe, um inibidor oral de JAK1, também avançou para estudos de fase 3.
Nos estudos STOP-V1 e STOP-V2, o tratamento atingiu o objetivo principal de obter pelo menos 75% de melhora do índice de vitiligo facial após 52 semanas, com resultados superiores ao placebo. A empresa responsável anunciou que pretende utilizar esses dados para submissões regulatórias. (Incyte Investors)
O que podemos esperar dos próximos anos?
A evolução dos tratamentos sugere uma mudança importante na abordagem do vitiligo.
No passado, o tratamento estava concentrado principalmente em estimular a repigmentação, utilizando corticosteroides, imunomoduladores tópicos, fototerapia e, em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos.
Com o vitiligo, uma doença autoimune, as novas drogas permitem desenvolver tratamentos que procuram interferir diretamente nas vias responsáveis pela resposta imunológica. Os inibidores de JAK são um dos exemplos mais importantes dessa nova abordagem. (AAD)
Outra área de investigação é a combinação dos tratamentos imunomoduladores com fototerapia UVB de banda estreita, buscando potencializar a recuperação dos melanócitos.
O objetivo futuro pode ser cada vez mais amplo: controlar a atividade da doença, estimular a repigmentação e manter a pigmentação recuperada por mais tempo.
Tratamentos disponíveis e tratamentos em desenvolvimento
| Tratamento | Via | Situação atual |
|---|---|---|
| Ruxolitinibe | Tópica | Tratamento aprovado para vitiligo não segmentar em alguns países |
| Upadacitinibe | Oral | Fase 3 concluída; aprovado para vitiligo não segmentar na União Europeia em 2026 |
| Ritlecitinibe | Oral | Resultados positivos de fase 3 em 2026; aprovação para vitiligo depende de avaliação regulatória |
| Povorcitinibe | Oral | Resultados positivos de fase 3; submissões regulatórias previstas |
| NB-UVB | Fototerapia | Tratamento estabelecido e ainda importante no controle do vitiligo |
| Combinações terapêuticas | Variável | Em investigação para aumentar e manter a repigmentação |
O tratamento deve ser individualizado
Apesar dos avanços, não existe um tratamento único que funcione para todos os pacientes. O dermatologista deve avaliar o tipo de vitiligo, sua extensão, atividade, localização das lesões e o impacto da doença na vida do paciente.
A evolução dos tratamentos é muito promissora, mas os novos medicamentos sistêmicos também exigem avaliação médica cuidadosa, pois os inibidores de JAK podem apresentar efeitos adversos e contraindicações que precisam ser considerados antes de sua utilização. (American Academy of Dermatology)
O tratamento moderno do vitiligo, portanto, não deve ser entendido apenas como uma busca pela recuperação da cor da pele. A perspectiva atual é controlar a doença, promover a repigmentação e preservar os resultados ao longo do tempo.
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