A Cirurgia Micrográfica de Mohs é uma técnica especializada para o tratamento cirúrgico do câncer de pele. Também conhecida como cirurgia de Mohs, combina a remoção seletiva do tumor com a avaliação histológica das margens durante o próprio procedimento.
A técnica foi desenvolvida na década de 1930 pelo Dr. Frederic Mohs, na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e atualmente é utilizada em diversos países para o tratamento de determinados tipos de câncer da pele.
Qual a diferença para a cirurgia convencional?
Diferentemente da cirurgia convencional, em que o exame histológico é realizado a partir de cortes representativos do tumor, no chamado método bread loafing, a Cirurgia de Mohs permite avaliar de forma sistemática as margens da área removida. A cirurgia é realizada em etapas, com análise microscópica de cada camada retirada, até que não sejam mais identificadas células tumorais.
Essa abordagem permite remover o tumor com precisão e preservar o máximo possível de tecido saudável. A preservação tecidual é especialmente importante em regiões delicadas, como face, nariz, pálpebras, orelhas, lábios, mãos e outras áreas em que a retirada desnecessária de tecido pode comprometer a reconstrução, a função ou o resultado estético.
Quando a Cirurgia de Mohs é indicada?
A técnica é utilizada, não apenas, mas principalmente no tratamento do carcinoma basocelular (CBC) e do carcinoma espinocelular (CEC), especialmente em situações de maior risco. Entre as principais indicações estão:
- Tumores recidivados, que retornaram após tratamento prévio;
- Tumores localizados em áreas em que a preservação de tecido saudável é fundamental;
- Neoplasias com limites clínicos pouco definidos;
- Tumores extensos ou com características de maior agressividade;
- Situações em que o controle preciso das margens cirúrgicas é especialmente importante.
A indicação da Cirurgia Micrográfica de Mohs deve ser individualizada de acordo com o tipo de câncer de pele, localização, tamanho, características clínicas e histológicas e histórico de tratamentos anteriores.
Como é realizada a Cirurgia de Mohs?
Após a assepsia e anestesia, o cirurgião remove o tumor clinicamente visível com uma pequena margem de tecido adicional. O material retirado é então preparado para avaliação histológica.
O tecido é cuidadosamente orientado, marcado e representado em um diagrama cirúrgico, permitindo que cada área examinada seja relacionada à sua localização original.
Em seguida, o tecido é submetido a congelamento em um equipamento denominado criostato. São realizados cortes muito finos, que são colocados em lâminas, corados e examinados ao microscópio.
O cirurgião compara os achados do exame histológico com o diagrama correspondente. Quando são identificadas células tumorais, uma nova camada de tecido é removida apenas na região em que ainda existe comprometimento tumoral.
Esse processo é repetido de forma sistemática até que todas as margens examinadas estejam livres de células neoplásicas.
Por que a técnica é importante
A principal característica da Cirurgia Micrográfica de Mohs é, portanto, a possibilidade de combinar controle histológico das margens, remoção precisa do câncer da pele e máxima preservação de tecido saudável.
Quando bem indicada, a técnica permite associar controle preciso do tumor, preservação de tecido saudável e melhores condições para a reconstrução cirúrgica, aspectos particularmente relevantes no tratamento de tumores cutâneos em áreas anatomicamente complexas.
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